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SOCIEDADE E EDUCAÇÃO

Quando se fala em educação, geralmente se pensa em criança, mas no Brasil, atualmente, quando se fala em criança, pensa-se logo em abandono, fome, moleques de rua, que pela ineficácia da sociedade onde estão, bem como pela ignorância dos pais transformam-se em ladrões, estelionatários, estrupadores, bandidos, enfim.

Um dos maiores e mais rentáveis países da América Latina, deseducado, não sabe e, às vezes, não quer fazer do seu habitante, um homem digno da sua produção.

O brasileiro não tenta educar-se, valorizar-se e tem medo da liberdade que não ousa assumir, oferecendo, dessa forma condições para que os dominantes os dominem, dominando também o seu mundo.

Se o oprimido não tiver consciência crítica da opressão, também não terá condições de transformar essa realidade.

A educação parte do princípio de que o ser humano é um ser capaz de ser educado, capaz de auto-educar e de transformar-se. Mas a educação brasileira não é uma “prática de liberdade”, e sim uma prática de enclausuramento, isto é, faz do educando (oprimido), uma casa de hospedagem do opressor (educador).

A pedagogia do dominante é baseada em uma concepção “bancária”, centrada predominantemente na narração. Dizia Paulo Freire: “A narração, de que o educador é o sujeito, conduz os educandos à memorização do conteúdo narrado. (...) Em lugar de comunicar-se, o educador faz  ‘comunicados’ e depósitos, que os educandos  recebem pacientemente, memorizam e repetem”. Eis aí a concepção ‘bancária’ da educação, em que a única margem de ação que se oferecem aos educandos é a de receberem os depósitos, guardá-los e arquivá-los.

Sob a esfera tradicional, nossa atual educação ainda aplaude aqueles educadores que costumam rechear nossas crianças e jovens com conteúdos, memorização dos mesmos e apenas isto.

Poucos são os que organizam um sistema de atividades sob um prisma crítico; também poucos são os educadores que comparam uma história antiga com a história recente. O diálogo neste tipo de educação, não existe.

O professor “deposita” o saber e “saca”através de provas e exames. Apenas depósitos de conteúdos (gloriosamente aplaudidos) e nada mais.

Tudo isso se chama passividade no educando e paternalismo no educador.

Na educação autêntica, é superada a relação vertical entre educador e educando e instaurada a relação dialógica. O diálogo supõe troca, não imposição. Somente desta forma o educador não é aquele que apenas educa, mas sim, aquele que, enquanto educa, também é educado, através do diálogo com o educando.

E a autenticidade? Será que o nosso educador desconhece este substantivo, menospreza-o ou se sente incapaz diante dele?

Independentemente da ignorância de alguns pais, nossa educação necessita, urgentemente da eficácia da nossa sociedade. Afinal, educador e educando não fazem parte da educação e também da sociedade?

Será que ela pretende continuar vendo jovens e crianças nas ruas, incriminando-a?

Ivonete Frasson Cesário