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O FALSO GRITO DA INDEPENDÊNCIA

Há três décadas, lembro-me que, como aluna e cidadã brasileira, vibrava quando os tambores e cornetas acordavam minha cidade natal, às 06:00 horas da manhã do dia 07 de setembro.

Aqueles sentimentos de alegria, honra e amor que dominavam o Brasil, na época eram vivenciados pelo exército, autoridades e educação.

A educação marchava tal qual o exército, para demonstrar não apenas sua imponência de lutadores, mas também para dizer ao público que assistia aos desfiles deste dia, que tanto educadores quanto educandos estavam “satisfeitos” com a situação atual.

Sim, pois se a insatisfação se demonstrasse em algum educador ou líder de educadores, logo, logo  este estaria “talvez ensinando”’ em outros países.

O povo brasileiro aceitou pacientemente que o militarismo calasse a sua boca, fechasse os seus olhos e tapasse o seu ouvido.

E honrosamente, o militarismo dizia: “Neste dia da independência brasileira, comemoremos com hinos, bandeiras e palavras, a nossa independência também!”  Essa frase, falada por um militar em palanque festivo, escutei a 35 anos atrás, mas gravei para não esquecer que, inconscientemente, aquele militar estava preso ao ridicularismo da ditadura militar, mas pretendia a sua independência também.

Houve um tempo em que 70% do Brasil não mais celebrou da mesma forma de décadas atrás, a conquista da independência. Também as escolas brasileiras não celebraram mais com a mesma imponência. Ou seja, conscientizaram-se que o indesejado já estava acontecendo há muitos anos, e que não mais pretendiam, como educadores, falsear a história de sua pátria.

Há alguns anos os desfiles retornaram, mas muitos deles aconteceram em forma de protesto. Lembro-me das faixas que protestavam a situação econômica atual, outras que protestavam as políticas dos atuais sistemas de governo, bem como faixas que diziam: “E a educação, sempre derrota?”

Creio que neste misticismo do esquecimento, também o hino da pátria deixou de ser ensinado e cantado pelos brasileiros.
Há de se pensar que o principal ensinante deste hino, o educador, não pretende mais perder o seu tempo na escola ensinando seu educando a cantá-lo. Tempo para ensinar, ele possui sim, mas o desincentivo através dos baixos salários fez com que os nossos atuais alunos desconhecessem a letra deste tão belo hino nacional.

A problemática atual em que vive o Brasil nas áreas da economia, saúde e educação, fez com que o nosso brasileiro não mais desperte no dia da sua pátria, 7 de setembro, vibrando com os primeiros toques de um tambor e parando para homenagear a conquista da independência, mas sim, que acorde dizendo apenas: “- Apenas um dia a mais para sofrer com a minha situação de desempregado”.

Aquela frase de 1822: “Independência ou Morte”, 188 anos após, foi esquecida pelos governantes, e trocada nos três principais setores do país (economia, saúde, educação) para: “Dependência e Morte”.

 

Ivonete Frasson Cesário