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EDUCAÇÃO: SEMPRE DERROTA?

Refletir educação é refletir sobre o próprio homem.

Refletir sobre o homem em si, não como um objeto dominante ou dominador, significa educá-lo.

E esse tema, educação - liberdade já foi objeto de estudo nos primórdios dos anos 60 pelo verdadeiro e imortal professor brasileiro, Paulo Freire.

Já naqueles tempos, a educação brasileira encontrava-se em um caos. Diante da situação política e econômica da época, Freire arregaçou as mangas de mero educador universitário e colocou, a convite do prefeito de Pernambuco, Miguel Arraes, as mãos na lama.

Assim, a educação começou a ser sentida e dominada não apenas pelas crianças ou jovens, mas, principalmente, pelos adultos, já que o essencial do seu Movimento de Cultura Popular baseava-se na Educação de Adultos.

Quando este prefeito venceu o governo deste estado, Freire teve a oportunidade de ampliar o seu trabalho de alfabetizador, mesmo sem alguma ligação político-partidária com o governador, já que todo o seu trabalho se realizava somente através da solidariedade política.

Em seguida, também Freire foi convidado por Darcy Ribeiro, Ministro da Educação do atual governo João Goulart, a assumir um posto que não rendia dinheiro algum, mas que era politicamente muito importante.

Mesmo sem filiação partidária, Freire coordenou a campanha do Plano Nacional de Alfabetização de Junho/63 a Abril/64. Nem mesmo 01 (um) ano foi considerado pelos políticos como tempo suficiente para a concretização de um Plano. Fato que trouxe uma grande marca aos dias atuais, uma vez que se continuou a alfabetização dos Jovens e Adultos, grande ideal de Paulo Freire, mas pouco considerado pela política nacional da época.

Uma proposta de alfabetização, até mesmo de adultos, tão lutada, foi considerada “politicamente” na época, ineficiente de forma absoluta, levando com o golpe militar de 64, o verdadeiro alfabetizador do país, ao exílio.

Por que o nosso verdadeiro educador foi derrotado?

Por que no Chile e na Nicarágua, exilado que estava, conseguiu sucesso com o Plano que havia elaborado aqui?

Por que toda a Europa e a África o conheceu, com as suas idéias e trabalhos, e muito pouco nós, brasileiros, o conhecemos?

Em 1980 retornou, mas curto foi o tempo que lhe restou para mostrar ao Brasil o significado verdadeiro da palavra educação, já que em 1997, partiu agora não mais para o exílio, mas para a sua verdadeira libertação.

Traços desta liberdade ficaram, talvez, na sua Pedagogia do Oprimido, livro que já conseguiu 17 línguas, mas que não teve o seu país como primeiro editor.

A educação brasileira sempre será considerada uma derrota, não apenas com o verdadeiro educador derrotado, mas também, quando ainda nela persistir apenas um ator diante de um teatro de fantoches, o opressor e os oprimidos de Freire.

Quando um dia a educação que já é uma política, deixar de ser “politicagem”, será realmente educação a/para/sob diversos ângulos.

A educação atual depende, portanto, de uma transformação sócio-construtivista do verdadeiro, do lógico, do sociável, do corajoso e crítico educador (qualidades que possuem, mas que temerosos não assumem).

Ivonete Frasson Cesário